prolixidade

blogs para coment?rios longos

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sábado, março 15, 2003
 
Short cuts
Devem ser mais de três da manhã. O sujeito tem cara de desconsolado, olha em volta procurando alguma coisa. Encosta no balcão e quer saber o preço da pinga. Já deve ter bebido mais de cem doses ali - tinha que ter decorado. Mas "sempre esqueço se é um ou um e cinqüenta", justificou pro amigo. Do lado pára uma moça desconhecida dele. "Hoje tá difícil de conseguir", ela diz, sorrindo, sobre as bebidas. Bonitinha. Se ele estivesse um pouco menos bêbado podia ter pensado em por que ela estava conversando. "Segundas intenções", diria sua cabeça. Vai saber. Mas não teve tempo de pensar nisso, não. A moça consegue a cerveja e sai de lado. "Boa sorte", diz a ele, e passa, amigável, a mão esquerda no ombro do cara. Antes dela sumir no meio das outras pessoas ele só tem um reflexo e retribui, tímido, o quase afago. Depois vira-se e pede a pinga. O garçom só aponta pro balcão: já tem uma dose colocada. Ele faz cara de que acha pouco.

- o -

"Nunca sei quando é pra beijar ou não", lamentava. "Ontem mesmo, quando fui me despedir dela (nem conheço ela direito, só coisa de 'oi' e 'tchau', e ainda assim nem sempre), então, quando fui dizer tchau com um beijo no rosto, a boca dela até roçou na minha, sei lá se foi sem querer. Deve ter sido". Ele é do tipo derrotista. "Nunca sei quando é pra tentar. Mas o que mais me deixou em dúvida foi o stand by, os dois segundos de olho no olho, parecia um titubeio". Ao lado, o amigo, que só escutava, tinha vontade de dizer "panaca". Continuou quieto.

- o -

"Sobrou uma moeda aí, parceiro?", grita de longe e vem correndo. Os chinelos estalam seco no asfalto. Pára ao lado do vidro do motorista, que não abaixa a janela. Só faz que não com a cabeça. "Não, não", olhando pra frente. O vidro e o barulho do motor abafam a ladainha do cuidador: faz cara de mau. "Outro dia nós se cruza", e corre pra outro carro que está saindo. Os chinelos estalam seco no asfalto.

sexta-feira, março 14, 2003
 
Leia mais
Posts imensos são um problema sério nesse negócio de blog. Eles atrapalham (afogam) os posts anteriores e muitas vezes dá preguiça de ler. Bom, esses são os principais defeitos de que consegui me lembrar sobre os textos enormes nos blogs. Como sou eu que costumo ter esse hábito feio com mais freqüência, estou tentando resolver o problema. Não, não vou parar de publicar coisas longas. Mas estou testando uma solução técnica.

Criei um novo blog. Como dá pra ver, o modelo é o mesmo do blog original. Seria como se este aqui funcionasse como um apêndice do outro. Um lugar onde se pode publicar os posts mais extensos. O outro seria o espaço para notas curtas, comentários ferinos, bate-bocas, enfim tudo que seja breve. E também seria uma espécie de índice para os textos compridos.

Claro que, mediante uma módica quantia mensal, os demais participantes dessa nossa "comunidade de refugos" (o termo surgiu ontem à noite) poderão também usufruir da nova maravilha tecnológica (também conhecida na Internet como "leia mais"). O blogger, aliás, hoje já deu pau três ou quatro vezes antes de funcionar direito. Ontem eu e o Renato (ou foi o Bruno? não lembro e duvido que eles também se lembrem), refletindo sobre a vida, a intersubjetividade e a socialização do indivíudo, concluímos (não sem uma ponta de orgulho) que somos uma não-panela. Sim, porque, apesar de um grupo, a gente não é refratário. Inclusive ficou até interessante, hein? "Panelas refratárias". Isso é um utilitário doméstico? Por acaso existe? Cartas à redação.

E como a coerência, a objetividade e a coesão não são práticas correntes nesse blog meta-jornalístico, mudo completamente de assunto e, aproveitando a semana (ou será o mês?) da mulher, lanço a campanha neo-feminista-concretista-emancipatória: "abaixo as panelas! viva o forno micro-ondas!".

Bom, como primeira experiência de "textão" ficou péssimo, concordo. Mas é como se diz: a vantagem de começar de modo muito ruim é que a única alternativa é melhorar.