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sábado, abril 12, 2003
 




quarta-feira, abril 09, 2003
 
O falso e o real: uma estória fictícia
"Put the blame on 'scotch'", gritava lá no fundo o Pedro quando entrei no bar. Não sei por que ele bebia uísque naquela noite, caro pra cacete. Nem era escocês de verdade, mas custava bem mais do que a pinga de todo dia. Vacilei antes de ir até lá, dava pra sentir que o cara tava bebasso. E eu não tinha começado, difícil trocar idéia nessa situação.

De onde eu estava dava pra ver os outros dois "fellows", um no lado direito do bar, sentado em uma das mesas, e o outro à minha esquerda, encostado no balcão. Naquela altura já era cada um por si. E por que o Pedro conversava com aquela menina não descobri na hora - e nem depois, quando toquei de leve no assunto. "Brumas do passado: as névoas escondem a verdade para sempre". Questão de intenção, é o que vale, disse pra ele no dia seguinte. Me xingou de moralista, o que nunca fui. Mas se não queria que dissesse por que então veio me perguntar a opinião?


De volta no bar. Ainda estou parado na entrada. Vou ou não vou. Às vezes, nessas horas, costuma chegar alguma garota interessante, não muito íntima mas razoavelmente bêbada, que puxa conversa. Conheço um pouco o procedimento. Socializando, sim, mas sempre ariscas ao primeiro sinal amarelo. "Saca as pombas de praça ciscando farelo? É só chegar um pouco mais perto que elas saem voando", ele me disse uma vez. "Tá bom, cara. Tá bom", era a minha concordância fingida. Pois então, chegou a Gabriela, me abraçou com um sorriso contente (na rua ao meio-dia é só um aceno amarelo).


Não foi mais de um minuto de papo sobre o único assunto em comum (o de sempre que a gente se cruza), as aulas de inglês. "Vai voltar?", perguntei a ela. E quando olhei já não tinha mais Pedro, só a menina, com cara de "que Pedro?". O próprio veio do lado de fora (por onde ele passou?) e conversou de boa, sem metade da empolgação de cinco minutos atrás. Depois ainda cumprimentei a menina, idem. Na verdade, na verdade, nada aconteceu.