Comentário cretino
Eu leio blogs. Mas, como disse aquele cara do rock inglês, eu tava só fazendo uma pesquisa. Já apresentei o seminário da Rosa sobre blogs mas continuo lendo alguns. Com fins puramente científicos. Não sou fã, mas falta do que fazer é foda. Só não é mais foda do que ter o que fazer e estar com preguiça pra ir à luta. Quando sofro de qualquer um desses dois desvios de caráter fico horas na frente dessa tela maldita. E nessas horas leio blogs. Bom, todo mundo tem um instinto vouyerístico (diz ele pra se justificar). Mas pelo menos eu não assito Big Brother!
Enfim, tudo isso pra perguntar por que blog de menina resolvida tem necessariamente que falar de sexo post sim, post não? Nada contra o fato em si, é só uma curiosidade talvez um tanto despeitada (admito). Mas agora mesmo tava visitando o blog de uma jovem jornalista bem resolvida que dizia que gostava de sexo. Eu deveria ter ficado estupefacto? Sim, porque quando alguém conta alguma coisa, deve supor que pras outras pessoas isso seja novidade. Gostar de sexo é tão inusitado assim? Então já imaginou se a moda pega por aqui e o Bruno sai espalhando que gosta de sexo? O que vão pensar do rapaz? Meu... Como tem gente estranha no mundo. Tem outro blog em que um grupo de meninas ousadas e resolvidas conta sobre preferências e experiências sexuais. É legal, mas dá a impressão de que elas carregam nas cores de propósito só pra chocar. E não tem sido atualizado com muita freqüência.
Ao contrário do que o senso comum e rasteiro poderia pensar, nos blogs dos caras o assunto sexo não tá com essa bola toda. Perdi quase um fim de semana inteiro pra preparar o seminário (na verdade duas tardes), então sou quase um especialista em blogs. E em minhas observações vi que no quesito pornografia crua a ala masculina da rede continua muito mais cativa. Blogs com fotos de sexo (e só) são mantidos quase que exclusivamente por homens. Mas a (vamos chamar assim) verbalização do sexo na Internet, definitivamente, é feminina. Acha-se uma foto ou outra de gente pelada ou mesmo de pornografia nos blogs delas, mas tudo sempre muito contextualizado ou artístico. E elas soltam o verbo. Os homens preferem falar sobre humor, bandas de rock, baladas, política -ou mesmo o inescapável futebol - e fazer "críticas mordazes".
Muitas meninas gostam de escrever "nomes feios" como caralho, foder, chupada, trepar. Tudo bem, eufemismo não tá com nada. Mas dentro de alguns textos isso fica parecendo coisa de criança que acabou de aprender a falar palavrão e se diverte com a cara de bunda que os adultos fazem quando ouvem.
Qual é a conclusão a que essas considerações levam? Sei lá.
posted by 13 at 6:12 p.m.
Quem mora em prédio não tem segredos, já diziam. Ainda mais quando se tem empregada. Aqui são trinta e dois apartamentos e, imagino, trinta e duas empregadas. Elas formam uma espécie de comunidade de informações. Os segredos dos respectivos patrões são trocados durante uma descida ou uma subida no elevador de serviço. Isso sem contar os porteiros da noite, aqueles sujeitos calados, com muito tempo ocioso, cujas distrações e únicas alegrias são ver quem chegou bêbado de madrugada e tropeçou na escada, ouvir ao vivo as baixarias que os casais trocam no portão ou barrar o ex-marido de uma moradora. "Abre essa merda!", ele grita balançando o portão". Não abre, não. A dona Clotilde mandou não deixar entrar.
Daí o porteiro da noite conta pro da manhã, que conta pras empregadas. A fofoca deve ser uma pequena vingança delas contra as madames antipáticas, além de um raro prazer. Nossa vizinha de andar deve ser uma madame antipática, porque acabei de ficar sabendo de toda a vida (não) conjugal do casal do lado. Devem orçar aí pelos sessenta e tantos anos. O homem é um sujeito simpático, a mulher é sempre sorrisos no elevador. Mas dizem as más línguas que no recesso do lar ela é fogo. O que eu conto a seguir foi contado pela empregada deles à nossa, e esta se encarregou de informar o pessoal daqui de casa. Não que a gente tenha perguntado. Mas é aquela coisa: fofoca quase todo mundo condena, mas são poucos os que tapam o ouvido quando alguém começa a contar uma.
Pois então. O "gancho" do assunto é que o homem ficou trancado pra fora de casa agora há pouco. Ele estava no hall do elevador social, pedindo pra abrirem a porta pra ele. Como somos vizinhos de porta dá pra ouvir tudo. "Deixa eu entrar", pedia. E de dentro da casa gritaram a resposta: "Não! Já disse que por essa porta você não entra. Acabei de limpar a sala". Ela nunca deixa o marido entrar pela porta principal, só pela de serviço. Aliás, nem ela usa a entrada principal. Apenas as visitas têm esse privilégio. "Mas eu estou sem a chave dos fundos". "Então pede pra vizinha [
a vizinha é a minha mãe] deixar você passar por dentro do apartamento dela". Teve um instante de silêncio e a nossa campainha tocou. Coitado.
A mulher não tem mania de limpeza. O caso dela é de uma espécie de psicopatia higiênica. Nada pode estar fora do lugar. A empregada contou que eles não almoçam na mesa da sala. Aliás, nem em mesa eles almoçam. Pra não estragar os móveis, o casal come sobre a máquina de lavar roupa, na área de serviço. Cada um puxa um banquinho e pronto. E a comida não é feita no fogão da cozinha - afinal, cozinhar almoço é coisa que faz muita sujeira, imagina aquele óleo todo. Ela tem um fogão meia-boca na própria área de serviço (quem não quiser acreditar fique à vontade, eu mesmo não acreditei).
Mas quem viu conta que os móveis da casa são todos cobertos com lençol, pra não juntar pó. A sala é praticamente um território inviolável, uma cidade proibida, onde só entra pessoal autorizado. E quanto ao banheiro, dizem que há muito tempo ele não pode usar o de dentro, só o da lavanderia. E quando alguém vai tomar banho ela forra o box com um plástico. Dormem em quartos separados (ela no de casal) e o marido não pode entrar no quarto que hoje é só dela.
"Não dorme com ele mas passa a tarde inteira vendo filme de sacanagem", alfineta a empregada. Um prato frio.
posted by 13 at 5:29 p.m.
sonho 01-A
Estou numa praia, surfando. Não sei o motivo, porque eu nunca surfei de verdade e nem tenho muita vontade. As ondas são pequenas, até consigo me equilibrar na prancha. Estou na areia, vejo o mar, e de repente uma onda enorme, gigantesta, começa a se formar. Começo a correr na direção oposta pra chegar a uma posição mais alta, pra quando a onda quebrar eu não ser colhido pelas águas. Muita gente ao meu lado também corre. Me salvo. Estou de novo na praia, uma outra onda gigante se forma, corro de novo, fujo. Subo em outro local, me salvo, mas o mar invade a casa e corro à procura de pessoas, pra socorrê-las. Pessoas próximas.
posted by 13 at 6:48 a.m.