O assalto nosso de todo dia Hoje aa tarde o Luis foi entrar no meu carro e me avisou que a maçaneta da porta do lado direito tinha sido arrancada. Voltei sozinho pra casa ontem de madrugada, depois de sair do RU, e nao tinha visto. Eh a segunda vez em uma semana que mexem no carro - tentando arrombar, acredito. Mas nunca tem nada de valor dentro pra roubar, nem radio. O Luis sugeriu que poderia ser coisa de bêbado saindo da festa da UEL. Algum recalcado com raiva? Mas isso nao faz sentido.
O caso eh que, aparentemente, eh a terceira vez nos ultimos dias que me acontece algo do tipo (que fique na tentativa ou nao). Ha duas semanas foi voltando do Valentino aa pe, la pelas cinco da manha. Assalto: quatro di menor, ou entrando na maioridade, cercaram a mim e a moça que tava comigo. Levaram o pouco que tinha sobrado da noite. Semana passada o Renato evitou que outros caras arrombassem o carro (estacionado perto do bar onde a gente tava, o Kotovelo's). Ele tinha ido dar uma volta e viu um sujeito mexendo. Foi pra cima e o cara saiu correndo.
E ontem isso, maçaneta arrancada por algum espirito de porco.
O que acontece? Nesses dias foram o Bruno e o Renato que quase se deram mal chegando na casa do Bruno, também de madrugada; festa dessas um calouro foi assaltado na UEL - que costumava ser lugar livre dessas coisas; ha umas semanas a vitima foi o Renato, no ponto de onibus. Mesmo que no caso de ontem nao tenha sido ladrao, ainda assim a incidencia de roubo e assalto foi grande nos ultimos tempos. Coincidencia? Saindo da casa do Luis hoje aa tarde um cara de caminhonete perguntou sobre a maçaneta. Eu contei e ele disse "Eh, Londrina tah foda".
Pode ser coincidencia, sim. Mas pode ser uma tendencia. Voltei uma porcao de vezes aa pe, de madrugada, do Valentino (bêbado ou nao) e de outros lugares e nunca tinha acontecido nada. Quanta gente costuma voltar bêbada pra casa, sozinha, e andava um monte de quateiroes sem ser incomodada? Nao existe ninguem mais vulneravel e facil de assaltar do que bebado.
Sera que eh a revanche da periferia? Tem estudante que se acha imune a esse tipo de coisas, que se julga proletario, com uma espécie de "vale anti-assalto", baseado no modo de se vestir ou (quem sabe?) no olhar marôto. Quando alguem conta que foi assaltado olha com desprezo, tipo: "otario, eu tenho malicia e nao caio nessas". Eu mesmo cheguei a achar que, mesmo andando de madrugada, nao tivesse perfil de alvo. Mas, como se dizia naquelas estorias antigas, "ninguem mais esta seguro".
Tomara que sejam so coincidencias. posted by 13 at 11:06 p.m.
sexta-feira, julho 11, 2003
Kelly Key é massa, acabei de escutar ela cantando no programa do Jô Soares. Jô Soares tambem eh joia. Os dois juntos, entao, fica o maximo. Principalmente porque nao esta bonito gostar de Kelly Key e de Jô Soares. Nao é "in". "In" é gostar de Chico Buarque (uma porcaria [Lobao]), Bjork ou gostar de qualquer mercadoria pseudo-obscura-cult (bandas desconhecidas do suburbio de Manchester, o cineasta junkie). So que ninguem diz que o tal circuito alternativo ou o tal do circuito underground, por mais alternativo ou mais underground, nao deixa de ser circuito. Legal eh levantar a bola de um sanfoneiro ou de um violeiro que faz um som de bosta soh porque o cara toca musica "de raiz". Mas quem eh realmente original? Quem realmente descobriu uma musica ou um filme alternativo antes de todo mundo? Tudo isso acaba passando antes pelo filtro ou pelo crivo de um critico de uma revista "alternativa" ate chegar nos consumidores iniciados. Ou pelo crivo de toda uma tribo. Qual a diferenca? Ter o gosto influenciado pela bate-bate da FM ou pelas conversas da turma ("a gente vai assistir um filme muito louco")? Tudo acaba sendo uma onda, seja o jaba das gravadoras seja a conversa boca-a-boca num bar underground. Qualidade? Fom, fom, fom, "que lindo a sanfona". Toim, toim, toim, "olha que viola!". Quando eh que o programa do Ratinho (que nem deve ter mais tanta audiência) vai deixar de ser exemplo unico de baixo nivel quando surge o assunto? "Acho os reality shows horriveis - mas nunca assisti", disse o jornalista famoso durante o simposio "haja saco" de comunicacao. Quando eh que a cabeca dos estudantes engajados vai superar a decada de 60 (idealizada, ainda por cima)? Alô, A DITADURA ACABOU. Os problemas sao outros. Nao sao tao arregacados nem tao maniqueistas, mas por outro lado sao muito mais complexos. Existe sutileza, nem tudo eh branco e preto. Alias, Chico Buarque ainda eh "in"? Acho que nem.
"Eu quero a justica social e a igualdade, mas acho uma bosta qualquer coisa de que o povo goste". Legal eh viola, toim, toim, toim. Pena que a Kelly Key nao saiba tocar. posted by 13 at 1:22 a.m.
quinta-feira, julho 10, 2003
tem estudante que eh mal-educado - por formaçao ou por atitude? existe pressâo social que obriga o sujeito a fazer cara de merda quando você pede alguma informaçâo qualquer? eh em todos os cursos ou apenas em alguns especiificos, do pessoal mais engajado? ser engajado significa tratar mal os deconhecidos e os que nao pensam nem se vestem igual? direito universal aa diversâo e ao sexo, drogas, rock&roll e aa cara de bosta. blase deve ser bosta em francês. esse negohcio de "cidadania" tah formando um comportamento cretino. porque depois da geracao "X", chegou a geracao "EU" ("meus direitos). do "os outros que se fodam" (jah ouvi isso uma vez, de uma menina insuspeita). discurso/verniz coletivista, esquerdista e humanista mas que esconde uma essência individualista, de garantir "o meu". a ehtica e a estehtica "suassuna", de fetichizar o pobrezinho ("olha que menino catarrento bonitinho, dah uma foto linda"), ("a senhora tah bem fodida na vida, hein?, trinta e sete filhos, perdeu um braço e vive de engolir tampinhas? puxa, nao quer dar um depoimento aqui pro jornal?"). o problema social eh um quadro na parede, ou uma possibilidade de ganhar um "sangue novo" (nenhuma indireta ao pessoal que ganhou neste ano, nem cheguei a ouvir as reportagens); interesse no material que o miserahvel pode render e nao na possibilidade dele melhorar. nao sou mais bonzinho (acho ateh que sou pior) mas tento fugir do discurso fahcil e inclusivo. isso tudo deve ser preguica de pensar. mas a receita eh infaliivel: discurso esquerdinho (tah na moda e se passa por bonzinho), comportamento egoiista e individualista ("garanto o meu, os outros que se fodam"), atitude blase (que muita gente boba acaba admirando - "atitude"), e quando eh criticado grita e xinga ("sou estudante, posso ser histehrico"). pronto.
nota 1: o texto eh generalizante e reducionista, mas fiquei puto com dois babacas (desconhecidos) hoje aa noite.
nota 2: antes de qualquer criitica aa ortografia: o blog tah sem acento, troco til por grave. nota 3: tanta onda retrô, tanta exaltacao aos 60 a aos 70, mas aquelas dehcadas foram realmente (eh a impressao) tempo de uma geracao coletivista, de desapego e desprendimento. hoje? eh brincadeira, neh? cadê a câmera? mostra ahi, vai. posted by 13 at 12:43 a.m.