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terça-feira, julho 15, 2003
 
A Ira
Corre por ai uma versao deturpada dos fatos ocorridos na noite de domingo, antes dos incidentes no Valentino. No Bar do Jota realmente rolou uma disputa antologica na sinuca entre geracoes do jornalismo (estudantes x praticantes). A turma das cinco fichas por noite contra a turma das cinquenta e cinco fichas por noite. A pinga contra a cerveja. O caso eh que nas eliminatorias para definir os representantes discentes, a dupla vencedora foi a formada por mim e pelo que atende à alcunha de Sitiao - embora este nao se recorde e conte versao diferente. Batemos, no jogo da escolha, à parceria entre Bruno e Anderson.

O primeiro jogo contra os jornalistas Mario e Rogério foi uma partida tensa, em que os adversarios se mediam a todo o instante. "Da pra cortar a tensao com uma faca", ilustraria o Mario. Ninguem queria perder de jeito nenhum (ninguem quer perder nunca, mas nesse caso especialmente). Ganhamos e, de fato, a bola decisiva foi morta pelo Renatao. Enquanto isso o Bruno comecava a ficar nervoso, porque teve que esperar e viu a possibilidade de ter de aguardar mais uma rodada. Acho que foi ai que surgiu o germe da furia que acabaria vindo a baixo, um pouco depois, na porta do Valentino, contra um sujeito que pode nem saber jogar sinuca (toca numa banda chamada Florzea).

"Bruno Bener era um cientista que fazia experiencias com raios gama..."
A diferença eh que ele fica roxo e nao verde. Mas os olhos esbugalhados e as veias saltadas sao iguaizinhas.

Epilogo: Na segunda partida, eu e o Bruno perdemos pros caras. Mas Bruno e Renato levaram a negra e deram numeros finais aa fatura, 2 x 1 pra nos.


Foto da comemoracao dos 30 anos da partida antologica, no Bar da Filha do Jota. Da esquerda para a direita, meu sobrinho (representando o finado), Renatao (nao casou) e Brunao (casou)

 
Sinuca seca
Depois de domingo o Bruno diz que nao bebe mais; de agora em diante so guarana. Falou que vai se dedicar a uma estranha modalidade de esporte para-olimpico chamada "sinuca abstêmia". Consiste em uma mesa retangular verde, com seis buracos (um em cada vértice e dois nas laterais) sobre a qual estao cerca de 15 bolas coloridas maciças de material sintético, numeradas de 1 a 15, um pouco menores do que uma bola de tênis. E uma bola branca, pouco maior do que as demais. O objetivo é impulsionar a bola branca com a ponta de um taco de madeira para que ela bata em outra e leve esta para dentro de um dos buracos.

Na versao tradicional do jogo, duas mesinhas da Skol sao colocadas proximas à mesa de sinuca. Sobre as mesinhas ficam à mao dos jogadores garrafas e copos contendo liqüidos fermentados ou destilados. Como no tênis e no golfe, existe um assistente - que, no caso da sinuca, atende pelo nome de "joaquim". Mas os joaquins, ao contrario dos assistentes do tênis e do golfe, nao recolhem as bolas nem carregam os tacos. Sua funcao eh cuidar para que os copos e as garrafas nunca fiquem vazios. Da coordenacao entre o que acontece na mesa central e nas mesas perifericas eh que surge a graca do jogo.

A versao sobria do jogo, tambem conhecida como "sinuca sêca" ou "bate-bate", eh muito praticada por criancas em chacaras aos domingos (numa mesa cujo pano deve estar necessariamente rasgado e manchado - e faltam pelos menos quatro bolas [sujas, sem numero e divididas entre vermelhas e amarelas]). Nao ha mesinhas por perto - nem os liquidos sao consumidos. Os praticantes dessa modalidade nao conseguem jogar mais do que três partidadas seguidas. Depois da terceira, normalmente eles vao trocar de roupa para tomar sol, nadar na piscina ou tirar um cochilo na rede.

Mas o Bruno disse que vai levar a serio essa modalidade exotica de sinuca e comecar a treinar. A ideia eh criar a primeira liga profissional de "sinuca abstêmia" do pais. Criancas de primeira a quarta serie e senhoras de grupos de terceira idade ja demonstraram interesse. Pacientes renais e hepaticos tambem devem aderir.

 
A morte do Luis no Cabaré do Filo: hospitalizado na Zona Sul (muita pinga)
Barraco na Leste-Oeste - prejuizo financeiro: 10 reais. Além do papel ridiculo (pinga)
Renato assaltado três vezes: tênis, mochila, passe de ônibus e grana
Eu assaltado uma vez: menos 20 reais (cerveja, cynar, pinga - quantidades pequenas; e muito sono)
Meu carro que sofre duas tentativas de arrombamento: maçaneta da porta direita arrancada
Renato e Bruno perseguidos por uma porçao de manos
Bruno perde a bolsa duas vezes. Nas duas vezes recupera a bolsa, numa delas sem o dinheiro que tinha dentro
Bruno que arruma confusao e se engalfinha com o cara duma banda chamada Florzéa: olho roxo (muita pinga)

Esses sao os que eu lembro, assim de passagem. Sao fatos, todos eles, relativamente recentes.

Nos ultimos tempos raras sao as noitadas que terminam sem que aconteca algum fato desagradavel ou barra pesada com o pessoal que escreve por aqui. Quando a gente tava no segundo ano de faculdade tudo sempre era muito animado e sempre acabava bem (às vezes muito bem, às vezes nem tanto, mas bem). Atualmente deu pra acontecer coisa chata. Talvez isso queira dizer alguma coisa.