Ao cronista desconhecido Estilos afetados
Casas acarpetadas
Sapatos acolchoados
Olhos amendoados
Dias enevoados
Carros com ar-condicionado
Humores adulterados
Amores mal-resolvidos
Coraçoes apertados
Versos bem empregados
Memorias empoeiradas
Livros nao folheados
Filhos nunca gerados
Maçanetas emperradas
Vâo se foder!
Porque aqui na face da Terra
Nao ha mais saco
"Amigo, se voce se sente lirico,
Se te ataca um comichao irresistivel
De encontrar a profundidade dos
Pequenos atos e fatos
Do dia-a-dia,
Lique pra gente.
Se voce quer escrever sobre lascas de sabonete,
isqueiros sem fluido e pessoas que vao embora pra longe
o problema eh seu.
Mas se voce pretende que a gente
Leia seus recortes liiricos do cotidiano,
O problema eh nosso.
Movimento Nacional de Prevençao aas Sentimentalidades Denuncie: Pode acontecer com voce ou com alguem da sua familia
O lirismo mata posted by 13 at 10:50 p.m.
"Fiquei com pena", disse. "Quando eu vi ela esperando ali, em pe. Tava toda encolhidinha, tremendo. E tava ventando frio, meu". A menina. Ele contava da menina com que tinha ficado noite passada. "Pensei, cara. Pensei que ela fosse dah o bolo quando foi embora sozinha pra casa", e tomou mais um gole do café. Tavam os dois sujeitos em pé, conversando na beirada do balcao. Depois que engoliu mais um "sorvo": "Mas eu fui", e riu uma risada curta, "passei em frente o prédio dela, 'que queu tenho pra perder?', pensei, neh?". O outro escutava com cara de interessado, mas dava umas ou outras olhadas pra porta, quando entrava ou saia qualquer um. "Ahi eu vi ela de longe e fiquei de cara. Tava me esperando". Mais: "daii eu falei assim, neh?, 'fechô'". posted by 13 at 10:32 p.m.
quinta-feira, julho 24, 2003
Perifa fashion Eh impressionante. Como tem gente com projeto social, projeto de trabalhar na periferia, de ajudar o pobre. Pode ser ator, cantor, jornalista, humorista, socialite, politico (eh, esse nao eh novidade), radialista - tem bonzinho de todo tipo. Parece que virou moda - a ultima onda do proximo verao. Eh que no Brasil a miseria sobra. Fosse em outro lugar e pode ser que faltasse pobre pra tanto altruismo. Quem sabe em 2004 a tendencia voltem a ser as estampas?; ou o corte chanel?; ou um bichinho virtual (tipo tamagochi)?
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Peça de teatro em penitenciaria, entao, virou o novo paradigma emergente das artes cênicas. Vai virar disciplina em curriculo (teatro carcerario I e II); movimento neo-vanguardista. Os atores vao passar meses e meses no xadrez pra fazer laboratorio (entender a realidade do preso). Ou: daqui pra frente, Plinio Marcos e Mario Bortoloto so com o material humano legitimo - "sem essa de burguesinho posando de mano, de malandro, de bandido". Pra quê?, se da pra contar com o original?
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Quem conhece algum velhinho cego viciado em crack, ex-interno da Febem, que apanha do marido, tem vinte e sete filhos (esta gravido do vigesimo oitavo) e sabe tirar um som "de raiz" da viola? Deve dar uma materia do cacete. Coisa pra premio Esso.
LOC:(...) apesar de tudo, o seu Austregesilo nao perde a esperança... Entra a sonora posted by 13 at 2:25 a.m.
Tranquilo Parei pra pensar e... Mentira (um texto que começa com mentira ja começa errado, e nao vai terminar bem. Licença poetica eh o caralho). Na verdade ontem (ou anteontem), antes de conseguir dormir, naquela hora do vira-prum-lado-e-pro-outro da cama, nao sei por que mas comecei a congelar na minha cabeça imagens de gente que eu conheco. Foi como se eu estivesse vendo um video em que a pessoa aparece. E eu desse um "pause". Mas era um "pause" especial, seletivo: a fita sempre parava quando a tal pessoa tinha no rosto determinada expressao caracteristica. Eh um exercicio idiota, esse. Falta do que fazer ou (sem duvida, sem duvida) falta de sono. Mas os resultados sao assustadores. Reparar durante dez ou quinze segundos em certas expressoes peculiares das tais pessoas. Porque, hm, essas expressoes nao duram no rosto, normalmente, mais do que um segundo - as vezes fraçao disso. Foi como colocar um microbio morto no microscopio, ou como... Descobri, pelas feicoes, que muitas dessas pessoas nao sao o que a Veja chamaria de "normal". E muitos sao meus amigos. Notei olhares psicoticos, esquizofrenicos - ares de quem resvala no limite da sanidade (o quê?). Dizem que... nem sei se dizem, mas eu acho: que pessoas realmente inteligentes nao podem ser totalmente centradas - o que pode ser uma compensaçao. (Talvez por isso tanta gente gosta de ficar falando que nao eh normal, que da ataques de vez em quando - tentar fugir um pouco da mediocridade). Realmente, ja conheci gente muito equilibrada que, sem nenhuma maldade, era curtinha das ideias. Voltando aas expressoes. No dia-a-dia todo mundo veste um costume ponderado, que nao assuste. Mas o que se passa realmente na cabeça, quando cada um esta sozinho consigo mesmo. Dissimuladas por mascaras, as ideias sem verniz, as ideias francas. Mas tem alguns segundos por dia, ou fraçoes de, em que esses pensamentos "reconditos" conseguem escapar, como um pouco de agua que vaza pra fora. Ninguem repara (ou finge nao reparar), porque logo volta o sorriso cordial (ou mesmo a raiva civilizada). Mas congela pra ver. posted by 13 at 2:11 a.m.
Lazzy O sabado acabou de virar domingo faz alguns minutos. E a minha duvida eh se vou pra rua ou se fico na frente do computador, escrevendo bobangens. Mas ja faz algumas semanas que as baladas nao têm me comovido, perdi o punch (nao sei se por saturaçao, trauma ou quimica). Ate saii de casa agora ha pouco, fui ate o Bar Brasil (fica a duas quadras), entrei, bati a mao no fundo e voltei (como diz o Rentao). Nao valeu nem o trabalho que eu tive pra colocar a blusa. De volta em casa, fica entrando pela janela o som de sabado, gente falando alto (a janela desse quarto da pros lados do Patio), parece que o ar quer te sugar pra fora. Obrigaçao de sair no final-de-semana.
Nos ultimos tempos antes do semi-retiro atual eu ja tinha abandonado os sabados - o domingo vinha sendo mais proveitoso.
Outra coisa que nao me pega mais sao as baladas universitarias, festa em republica. Nunca entendi muito bem qual era o barato daquelas festas (sem ou com trocadilhos?). Na verdade, na verdade o errado ali era eu. Ficar achando e botando defeito na diversao dos caras e das mina - "quem te obrigou a ir?" Eh verdade. Ateh nos lances do RU ja nao tenho me divertido mais - no ultimo, fui embora tao cedo que nenhum calouro tinha vomitado ainda.
Sobra quem? O Valentino. Preguiça. So de imaginar o same old, same old. Foda. posted by 13 at 1:32 a.m.