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sábado, agosto 16, 2003
 





"O ônibus ainda vai passa' pela Ladeira do Curuzu, depois você desce". "Quer queu segure pra você?". "UNEB? é no Cabula, nâo é? é, é no Cabula, sim"."...falei com Geraldo ontem e ele disse que vai na festa de Mariana..."."Todo mundo vai ter que descer e levar geral?". "é coisa de acêeme, o candidato dele quer mostrar serviço". "Quatro acarajés hoje?". "Afasta ai, gente, que os meninos vâo saltar". "Valeu". "...as sete da manhâ, ele ficou dormindo sozinho no quarto, todo mundo foi embora". "Foi muito massa, muito massa". "Tem seda?". "Comprei uma garrafa pra hoje a noite, Jaques". "...o Mercado Modelo, as meninas ficaram de cara com aquelas coisas". "No Flamengo, a gente ainda nâo foi". "Quatro reais cada? Tem que compa' agua". "...e o banheiro nem da' mais pra entrar". "O lance é o banheiro do Shopping". A privada do Shopping era limpinha, mas nâo tava firme no châo. Dava a impressâo de que podia cair com a gente em cima. "ô, rapaz!, que qui cê ta' pulando o muro ai?". "...foi de Umbu, ontem eu tomei de Caja". "Parece que tudo tem o mesmo gosto". Forro' do pessoal do Rio Grande do Norte (ou era Paraiba?). Pinga na faixa, dancei com uma porçâo delas. Depois nunca mais, nem um abracinho. "... ou o Brasil acaba com o cu doce ou o cu doce acaba com o Brasil". "Vamo procura' o terreiro?". "Vô nâo". "...se liga que tâo assaltando todo mundo. Levaram o dinheiro dela e o relogio dele". "...onde a gente se encontra depois?". "aqui na frente". "O que tem nisso ai?". "...e canela". Na volta de Itaparica, de noite, tava um frio do caralho na balsa (pro padrâo da terra), o pessoal se amontoou nos cantos e uns dormiram, uns conversaram, uns ficaram olhando o convés la' embaixo, cheio de carro e com um caminhâo carregado de banana. La' na frente tinha a cidade, uma porçâo de morros iluminados. E o mar preto e liso. Baixa do Sapateiro. "...menina branca nâo tira com a minha cara, nâo!". "...essa arraia ta' demorando". "...e carne de vaca, você tem o quê?". "Tem lombo". "De porco?". "Lombo de vaca". Trapiche. "...e o Lobâo nâo quis...". "...coloca o colchâo ali do lado". O pôr-do-sol no Farrol da Barra é o cara. Meu... E a menina nâo deixou a gente ver ficar escuro totalmente, queria porque quis ir embora. "... vamo aproveita' o banheiro do Museu". "...da' mais um queijinho desse ai', tio". "vai mel?". "mel?". "...muito massa, fumei um com o cara na Bahia! na Bahia! Aquele marzâo ali, umas meninninhas...". "...tinha aula, faço fisioterapia, Tha?s, ... Itapoâ é a proxima, vocês pularam do ônibus muito cedo". "Ari" o quê? Arpug...? nâo, esquece. "...que da hora ...comi três acarajés". "nooossa". "...cocada?". "...ô lôco, truco! truco!". Em setembro na Bahia nâo toca axé. "Pra UNEB? Vocês pegam o Saboneteira". "Nâo, é no Abacaxi...". "Lembrei do nome da praia. Arembépe. Arembépe". A gente foi beirando o mar até a puta que o pariu, pra ver umas tartarugas e depois uns hippies. Na volta, com medo de perder o ônibus, a gente apertou o passo pela estradinha de terra. No fim da estrada encontramos os caras: tavam comendo caranguejo, na sussa. A gente perdeu o ônibus. O pessoal-balada perdeu o ônibus. Até na Bahia, porra. Os pessoal direito foi embora com o ônibus (antes de escurecer, de ficar tarde) e a gente ficou esperando um ônibus de linha, que levava a gente sabe la' pra que parte de Salvador. Mas quem tava com pressa? Pode até ter sido no dia do forro'.

segunda-feira, agosto 11, 2003
 
Mascate
A inevitabilidade da segunda-feira. Chega sempre. A segunda-feira é tipo um vendedor de semana. Chega, bate na tua porta e ja vai abrindo o mostruario com terça, quarta, quinta e sexta. "E na compra de uma semana, minha senhora, a senhora leva totalmente de graça - eu disse: de graça! - um sabado e um domingo". A senhora: "Nao entro mais nessa, nao. Olha so o ultimo domingo que me venderam", e aponta pra uma maçaroca que ela usa pra escorar o porta. O vendedor faz uma careta de nojo e pensa ("nossa"). Mas nao perde a pose treinada. "Devia ser pirata... [e cofia o bigode]. A senhora comprou esse domingo no camelô, nao comprou?". Ela fica meio sem jeito de admitir. Parte pro ataque (a melhor defesa): "ah!, domingo é sempre tudo igual". O vendedor, concordando sinceramente e abandonando o tom mercantil: "é verdade...", mas logo: "quer dizer, depende do sabado que veio antes, né...". Ela olha pra ele com um ar meio maroto, sorrisinho escondido no canto - tipo "esse sujeito ta me tirando". Ela (querendo encerrar a conversa mole e fiada e resolvendo comprar alguma coisa pro sujeito cair fora): "Quanto ta saindo a quarta-feira?". Ele: "Nao vamos falar de preço, dona... Dona... Como é mesmo o seu nome?". Ela: "Eu nao te disse meu nome". Ele, diversificando: "Leva a semana. So os dias uteis". Ela: "Nao, nao... Hoje eu nao vou querer mesmo. Você mexe com dias usados?". Ele (coçando a cabeça): "Bom, quer dizer, oficialmente nao. Mas a gente pode dar um jeito". Ela: "é que faz dias queu tô procurando um sabado". Dessa vez o sorriso maroto é dele.