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terça-feira, outubro 14, 2003
 
If there’s blue sky in your mirror
I can wait until the childish wish is gone
If the red sky in your pocket’s thin
And like a wale walking in a water pool



 


O Mundo Animal - coadjuvantes
Hipopótamo é um bicho sem graça. Se ele fosse um país, seria a Noruega. Tá ali, na dele, não fala mal de ninguém e nem se ouve falar muito dele. Dentro da cadeia alimentar ele não come ninguém nem é comido por ninguém. Deve ser por isso que ele não aparece muito no Discovery Chanel nem no National Geographic - porque o pessoal quer é ver sangue. Mas o hipopótamo fica o dia inteiro na água morgando. O verbo "morgar" deve ter sido criado primeiro pro hipopótamo, depois o uso foi se extendendo pra seres humanos.

Esses dias eu li que na cadeia evolutiva o hipopótamo está próximo das baleias (não sei se dá pra acreditar, saiu na Veja). Não sei se acontece com todo mundo, mas pra mim a associação mesmo é com o rinoceronte. Na minha cabeça o hipopótamo é um rinoceronte sem chifre que curte uma natação. Só que, ao contrário do hipopótamo, o rinoceronte é um bicho maneiro, que parte pra cima, que pra arrumar treta não precisa muito. O elefante também é maneiro. A girafa não.

Esses dias eu tava vendo umas girafas na TV e percebi como elas não têm muita personalidade. Valem pelo pescoço, porque se fosse pela atitude elas não pegavam nem uma figuração. São um tipo de arquétipo animal, uma caricatura pré-pronta. Outro bicho interessante é a hiena - o problema dela parece ser falta de caráter. Costuma fazer ponta em documentário sobre leões. Vi um, divertido, em que uns dois ou três leões afinaram prum bando de hienas.

Todo mundo sabe que "hipopótamo" vem dos gregos, cavalo da água - ou cavalo potável. Mas o hipopótamo parece mais um boi com obesidade mórbida. Imagina só um boi com obesidade mórbida. Inchado. Não seria muito diferente do hipopótamo - tirando o couro malhado. Até o som da palavra é gordo, quase impossível dizer hi-po-pó-ta-mo sem estufar as bochechas. E o hipopótamo tem umas bochechas imensas, uns dentes muito grandes, bem desenvolvidos prum herbívoro (acho que é herbívoro). Diz que o perigo mora ali, na boca enorme do bicho. Pois é.

domingo, outubro 12, 2003
 
24 HORAS
Em menos de 24 horas, três tribos urbanas

Locação 1
Bar Todas as Tribos, perto da meia-noite de sábado pra domingo



Enquanto a gente matava um litro de Balkash em cinco, a fila do nosso lado ia entrando no Demo Sul (o festival de rock). Naquela noite o nome do bar tinha a ver. Punk, careca, rocker, mano, garota fashion, mod. Em cidade onde as baladas desse tipo são raras não dá pra escolher muito. Tribo rival tem que dividir espaço.

E enquanto tem gente que entra, também tem gente que sai - gente arrancada de dentro pelo segurança. De repente, ali do lado, o moleque (de uns 17 ou 18 anos) tava gritando e esperneando, (enquanto um amigo tentava segurar a fúria). "Vou te matar, seu segurança filho da puta! Seu preto! A turma do *** vai te pegar". E entre um grito e outro, chorava berrando. Tava totalmente bêbado, transtornado. Tentava chutar e quebrar tudo que via na frente. Não deu pra descobrir exatamente, mas ou ele tinha sido arrancado de dentro ou barado na porta - por não ter documento. E ficou aquele show ali na frente, o camarada não levava o moleque embora.

Até que o irado se desvencilhou e foi pra cima de uma moto estacionada ali por perto. Sem mais nem menos, na fúria adolescente, jogou a moto no chão. Só que do lado da moto tava o dono da moto, um segurança grande - grande. O moleque franzino, bebasso, que mal se equilibrava nas pernas, foi pego pela camiseta igual um saco de batatas e jogado com muita (muita!) força contra a parede. Meteu a fuça no cimento. Quem assistiu a cena comentou depois: "Fez um barulhão". Foi bater e cair no chão, como um saco de batatas largado. "Essa moto tem dono, rapá!", berrava o segurança e metia o bico no moleque caído. E a fila toda assistindo. Até que levaram o moleque embora; pelo que deu pra ver, pelo menos ele tava consciente.

Depois de uns minutos, um carro dos bombeiros rondou o lugar. Rua acima, a uns cem metros da gente, juntou um monte de pessoas - podia ser por causa do moleque. E o segurança entrou no carro de um dos organizadores e vazou. Sumiu. Lá dentro estava cheio. Mas bateu o sono - e só. Vi duas ou três bandas, aguentei quanto deu e fui embora dormir, meio contrariado, um pouco depois das duas.

Locação 2
Segundo Intermangá, domingo à tarde, das três e meia até as seis e alguma coisa



Adolescentes que curtem gibi japonês, o mangá. Alguns gostam de se vestir como os personagens. A grande maioria era de descendentes de japoneses. Fliperama, aquelas máquinas em que a pessoa tem que dançar colocando os pés conforme acendem as luzes no chão, oficinas de desenho, cosplay (cos - de costume/fantasia; brincar de se fantasiar), bancas, concursos de desenho. Lugar cheio, fazer imagens, se preocupar com luz (fugir das janelas). Deu certo. Clima ameno e agradável.

Locação 3
Santuário de Nossa Senhora Aparecida, rua Grajaú, Vila Nova. Ainda domingo. Das oito da noite até quase dez horas


Sala de promessas da basílica de Aparecida do Norte

Uma multidão pra comemorar em Londrina o dia 12 de outubro, dia da padroeira do Brasil. Nunca tinha ouvido falar desse santuário. Pareceu até uma versão local compacta de Aparecida do Norte. Tem sala de promessas e tudo, com aqueles objetos que as pessoas depositam depois de receber alguma graça. A sala (pequena) tava fechada, mas deu pra ver pelo vidro algumas cabeças moldadas. Do lado de fora um monte de barraquinhas vendendo de tudo. E o pessoal passeando. "Parece quermesse, cidadezinha do interior, onde as pessoas não têm nada pra fazer e tal", o Fernando. Parecia mesmo.

Fui escalado de última hora pra cobrir, cheguei apressado pra filmar com o Fernando, arrumamos tudo. Deu trabalho pra arrumar a tomada pra luz. O pau de luz é um negócio forte, hoje à noite que eu notei. Iluminou toda a multidão em frente à igreja. Tudo pronto - e quando liguei a câmera começou a piscar um negócio no visor. "Sem fita". Tinham passado o equipamento pra gente sem fita. Acabei arranjando uma fita por lá (tem de tudo ali). E vimos a queima de fogos. Na TV é um negócio muito chato, mas ao vivo até vale uma torcida de pescoço.