Pão, filé de frango, queijo, bolacha e Pepsi
O dia seguinte é foda. Ainda tenho que descobrir se existe vida depois do exagero. Afinal, por que é que a gente tem que pegar tão pesado na balada? Matar um litro de Balkash numa noite, da uma às três, não é saudável não. E já é tradição, sim, esse pique rola pelo menos uma vez por semana. Mas o que me derrubou mesmo foi aquela Teleco-Teco, a caninha que dá bode. Na festa que a gente foi depois do Jota, eu e o Bruno já calibrados com a russa (enxugamos o litro), tinha uma garrafa da pinga dando sopa na cozinha. E pronto: a gente encheu os copos e partiu pro fim. Se fosse só a Balkash eu acho que nem tinha me feito tão mal - claro que acaba sendo cumulativo. E a pessoa começa a falar bosta e a fazer bobagem. Mania que eu bêbado tenho de dirigir na contra mão; ontem de madrugada foi uma rua inteira, mais de seis ou sete cruzamentos vendo as costas dos sinaleiros. Se rola uma RONE a casa cai ("dirgindo bêbado na contra-mão, documento"). E o estômago embrulhado, a dor de cabeça e o resto. Até o agradável da noite fica embaçado por causa do excesso.
Dia seguinte é foda. Sábado de trabalho na rádio, sou um editor indolente, inútil. Fico olhando que nem besta pra tela do computador, sem entender direito o que aquele cara tá falando na entrevista gravada. E as memórias da noite passada vão caindo aos poucos, igual tijolo que despenca de construção; cada lembrança é uma pedrada moral. De repente, às duas e quarenta e três da tarde, sem mais nem menos, volta uma cena na cabeça. Cada bosta falada, cada música dançada, cada mico pago. Feliz é o Bruno, que nunca lembra dessas coisas. Se bem que ontem fui eu que esqueci do Bruno e fui embora da festa com a bolsa dele no carro. Foda.
posted by 13 at 4:13 a.m.