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sábado, dezembro 27, 2003
Gúgolmancia Uma boa pra quem não tem (mesmo) mais o que fazer. Entrei no Google, na opção busca por "imagens", e joguei, um de cada vez, os nomes do pessoal daqui, pro portal procurar (- exemplo -). Saíram as várias páginas com "tumbs" (fotos pequenas), de 20 imagens por tela. Quem tiver saco (e vontade) podia fazer isso de um por um. Mas, pra poupar tempo, eu já fiz uma "seleção". Abaixo eu coloquei as 6 ou 7 fotos mais interessantes da primeira página de cada nome. Quem sabe não vira um novo método esotérico de previsão, como a numerologia, a leitura de mãos e o mapa astral? A Gúgolmancia pode revelar o futuro das pessoas ou traçar a personalidade de cada um. Será? Bom, a interpretação depende de quem vê. A primeira foto das séries que eu fiz é sempre a primeira que aparece no Google, as outras não estão em ordem. Legal reparar, especialmente, nas últimas fotos de cada série (um indício de que a Gúgolmancia tem algum fundamento). Tem alguma coisa de auto-imagem nessas últimas figuras, não tem? sexta-feira, dezembro 26, 2003
E num futuro distante... - 2003? 2003, 2003... Não consigo me lembrar. Acho que eu fazia direito... Ou era engenharia. O operador da psico-sonda: - É estranho, chefe. As memórias de 2003 nele são totalmente confusas, parece que ele passou grande parte do tempo em estado alterado de consciência ou em estado letárgico. O chefe insistiu: - O que aparece na tela da sonda? - Não dá pra distinguir direito, mas parece... parece a silhueta de uma mulher nua... Ou talvez uma garrafa de alguma bebida antiga. - E esses sons? O que diz a memória auditiva? O que é esse téc, téc, téc? - Não consigo identificar, mas parecem objetos sólidos sintéticos que se chocam. Esferas, na verdade. Nada disso faz sentido pra mim... - É estranho mesmo. Quando é que os registros se embaralham? - Setembro de 2002. A última memória intacta é o embarque em um ônibus, depois começa a ficar tudo esfumaçado. - Estranho. Alguma idéia mais forte? - Há uma letra que não pára de aparecer: "J". Deve ser a inicial de alguém importante. E uma frase: depois do "J", o Valentino. Alucinação, sem dúvida. O chefe, dirigindo-se ao paciente: - Havia outras pessoas com quem você convivia na época, isso a gente pôde checar nos arquivos. Elas também foram submetidas, e os resultados... - Sim? - Bem, as sondagens nelas são mais definidas, as memórias menos confusas... - Então... - Tudo muito colorido, girando, girando, girando... Pequenos animais de todos os matizes, como o arco-íris, melodias desconhecidas para o ouvido humano, piqueniques em Marte, tecidos de Vênus e... Bom, deixa pra lá . Enfim... - Entendo... - Mas, sem dúvida, a gente pode falar do que aconteceu em 2004, não? - Claro... - Porque em 2004... Uma bomba nuclear do Exército de Libertação da Califórnia, o ELC, cai sobre o consultório (na verdade sobre a cidade). Uma arma obsoleta, das antigas de hidrogênio, mas forte o suficiente pra acabar com a brincadeira. As questões 05 e 06 se referem ao texto abaixo "Ontem eu fui xingado pela Gisele e Banda no balcão do Valentino - e nesse caso eu sou inocente, nem tinha bebido (muito) até então, e só corrigi, inocentemente, uma coisa que ela disse. "Feliz Páscoa", ela se enganou. E eu emendei, "...natal". Rapaz, pra quê. A moça começou a dizer impropérios e, quando eu tentei falar alguma coisa, ela disse, do nada, que eu era im-be-cil. Engraçado, hein? E quem estava conversando com ela era o Renato, eu tava ali, só de lado. Mas pelo menos o problema não era comigo: a moça soltou a cachorrada toda pra cima do Renatão também. Sei lá o que ele disse, mas foi naquele tom boa praça que o Renato sabe fazer - disso eu lembro. Sei que ela fulminou: '...isso é porque vocês (sic) estão acostumados com mulheres fáceis! E com licença!', e pegou a cerveja do balcão e saiu indignada sabe lá com o quê. Não sei com quem ela me confundiu (porque eu não a conheço nem ela me conhece), mas acho que nunca conheci uma mulher fácil, não. Pelo contrário, conheço, sim, garotas difíceis, complicadas, complexas ou até incompreensíveis. Fáceis não. Depois o Iuri me contou que ela tinha brigado com o ex, ou o ex tinha brigado com ela - não entendo mais como funciona esse negócio de relacionamento. Acho que nunca entendi." Questão 05 De acordo com o texto: I) Ele é um imbecil; II) A Gisele e Banda achou um olho de galinha na Skol que tava tomando e decidiu descontar nos primeiros que apareceram; III) Na verdade ela queria mesmo era cuspir na careca do skin red ("tenho todos os motivos pra isso", disse) mas teve medo do tamanho do cara e resolveu cuspir metaforicamente nos dois tontos; IV) O ex dela era o Renatão, e era com ele que ela tava brigando quando chegou um imbecil pra atrapalhar; V) O tamanho da dose de Ypioca no Valentino depende de pra qual garçom você pede (“garçom e rato é tudo a mesma coisa, menos o Juninho”, segundo Gisele e Banda, em 24.12.2003). a) a I, a III e a V são corretas, a II e a IV foram inventadas; b) vice-versa; c) A I está muito correta; d) a IV pode até estar correta (se mudarem os personagens, o cenário e o ano); e) todas estão corretas, principalmente a I; Questão 06 “Isso é porque vocês estão acostumados com mulheres fáceis! E com licença!”. a) Na frase, a que “isso” a moça se refere? (porque eu mesmo não entendi) b) Ao utilizar “vocês”, Gisele e Banda cometeu uma generalização? Dado o contexto e o adiantado da hora, ela estava se referindo apenas aos dois personagens ou ao gênero masculino em geral? c) “Mulheres fáceis”. A expressão indica um comportamento específico, de conotação sexual. Discorra, em no máximo 10 linhas, sobre o significado da expressão, na acepção empregada pela personagem. d) Na frase, Gisele e Banda usou de ironia. Indique o trecho irônico e explique como a pretensa polidez foi usada para tirar os sujeitos. A década que eu não vi Fui adolescente nos anos 80, e não entendo mesmo esse estranho revival daqueles tempos insípidos. Porque não dá mais pra não ver que a moda agora é lembrar da década de oitenta. Matérias no jornal "ressuscitam" bandas e o clima da época, festas temáticas são promovidas para as pessoas usarem cabelo espetado e roupas pretas. Fala-se muito do The Cure e dos Smiths (como se fosse o som que todo mundo curtia). Mas eu fui conhecer mesmo uma música dos Smiths agora, faz pouco tempo, já durante a "retomada". Do Cure eu sabia de Boys don't Cry, Friday e um ou outro hit - que tocava na rádio. O que fazia (muito) sucesso eram Madonna, Michael Jackson e artistas que morreram (artisticamente) com a década. Tanto que eu nem lembro direito quem eram. Mas me vêm nomes, que hoje soam engraçados, como Lyonel Ritchie, Duran Duran, Peter Gabriel, Cindy Lauper, Supertramp, Rod Stewart - isso sem citar os menos famosos. No Brasil, era tempo de Lança Perfume da Rita Lee, 14 Bis, A Cor do Som, Ritchie (Menina Veneno), Roupa Nova. Foram os anos, mais do que qualquer outro tempo, do sucesso fácil, da música comercial, do programa Globo de Ouro (em que os cantores se apresentavam em Playback). Os grupos tinham, no máximo, um ou dois grandes hits durante a carreira. Na nossa turma de amigos tinha um japonês (o apelido dele era "China") que gostava do Cure. Era o único que eu conhecia. O resto curtia coisas mais sérias, como Stones, Beatles, Led Zeppelin e rhythm and blues em geral. Aliás, tinha um que (dizia que) era fã do U2, e outro que (era mesmo) fã do Metallica. E um terceiro que curtia o começo do sucesso do eletrônico - coisas como New Order, Erasure, Information Society e, é sério, Pet Shop Boys. Depois da gente encher muito o saco dele, ele começou a ficar com vergonha dessa preferência. Coisa de adolescentes. Mas o China adorava o Robert Smith. Ele até usava umas roupas mais largadas, alguma coisa preta - mas nunca se atreveu a espetar aquele cabelo pra cima. Tempo em que ainda não era bonito ser poser (esse era o termo). No fundo, no fundo acho que a gente considerava meio exótica aquela preferência dele. Era como torcer pro Santos, um exemplar único. Hoje, como os torcedores do Santos, ele deve estar tendo o seu momento hipe, onde quer que ele esteja. Enfim, só quem realmente não viveu os anos 80 tem essa visão cheia e intensa da época. Pra mim, claro, vale a memória afetiva, sentimental. Por tudo que acontece quando você tem 13, 14 ou 15 anos. Mas pensando bem, em termos, digamos, artístico-cuturais, era um tempo de quase nulidade. Até os Stones, nos anos 80, eram uma caricatura de si mesmos. Eu lembro que lamentava por não ter vivido os anos 60 (ou mesmo os 70), que tinham uma identidade forte. Será que eu estava cego pro que acontecia, fervilhava em volta de mim? Acho que não. Os grupos dos 60 realmente estouraram pro mundo todo, não havia quem não os conhecesse. A mesma coisa vale pra música "disco" dos 70. Mas eu passei pela década de 80 sem sentir o estouro desse pessoal que hoje está sendo celebrado. É só uma onda? Mas uma coisa é verdade: comparada com as anteriores, a cena da década de 80 foi, sim, de uma pobreza de espírito tremenda. Mas foi muito mais interessante, ah isso foi, do que o que veio depois, a indigência dos anos 90. Fiquei quase dez anos desligado do universo pop, sem me entusiasmar por praticamente nada. Agora que estou voltando, aos poucos. |