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sexta-feira, agosto 06, 2004
 
A minha barba é bem mais rala do que a do Lula mas tem dias que eu também acordo invocado. Acordo, claro, mais tarde do que o presidente - duvido que ele se levante só depois do almoço. E não ligo pro Bush, não ia ter muito pra dizer pra ele, na verdade. Quando eu acordo invocado (não vão pensar que eu acabei de acordar) eu escrevo alguma coisa por aqui. Dá menos bandeira do que sair na janela da sala e gritar pra quem tiver passando lá embaixo. E lê quem quer, ignora quem tem juízo. Mas enfim, o que é que o Bush tem a ver com tudo isso? É o seguinte. A gente tem mania de malhar os americanos por causa da arrogância e do jeito que eles se portam. Sociedade consumista, alheia ao resto do mundo, moralistas. Mas eu percebo que, no fundo, todo mundo é assim. Tô pra conhecer um indivíduo que não se abespinhe quando alguém critica o seu estilo de vida. Do mesmo jeito com os americanos. Já notaram que na retórica política dos EUA os ataques não são mais só contra "nossa nação", "a liberdade", "a democracia"? Quando um avião bate no maior arranha-céus de NY ou um Vietnã qualquer tenta avermelhar, eles (os presidentes americanos) logo dizem que estão ameaçando nosso "way of life". Uma parte é verdade, a outra (grande) é pura retórica. A Terra da Liberdade, o Líder do Mundo Livre, grandes elaborações narrativas pra legitimar a ascendência bélica e econômica. Bom, isso tá indo longe demais. Mas com o Zé do dia-a-dia é a mesma coisa. Aconteceu com um amigo antigo, que por acaso também se chama Zé. Um Zé acima de qualquer suspeita, aquela verve irônica (não sarcástica) que torna qualquer pessoa mais interessante, senso de humor; sujeito legal. Mas fui falar, entre uma piada e outra, que jornalista tem mania de fazer panelinha e o Zé, jornalista, não levou na esportiva. Tergiversou, disse que era normal, contou de casos e citou exemplos. Mas aparentemente se sentiu atingido no seu direito de "panelar".


terça-feira, agosto 03, 2004
 
Borgianas (mais um post com prazo de validade de um dia)
Era eu, sem dúvida! O nome, a idade, o lugar, tudo batia. Não podem ter dois com tantas características idênticas. Fuçando na rede, jogando pesquisas aleatórias no Google, descobri semana passada um blog escrito por mim que eu não conhecia. "O Livro do Suicida", era o título da página - nome que eu não achei tão interessante, mas nem por isso desprezível. Página em negro, fundo escuro com o texto em branco. Os posts falavam de pessoas que eu conheço, citavam os mesmos lugares que eu freqüento, mas de todas as situações descritas eu não me lembro de nenhuma. Tudo muito coerente, é razoável que tudo aquilo tivesse rolado - mas eu não lembro. Descartada a possibilidade de coincidência (era impossível), formulei duas hipóteses pra explicar. Uma fantasiosa e a outra preocupante. Primeiro: podia ser alguém se passando por mim, alguém que me conhecesse o suficiente e fosse da mesma turma. Mas teria que ser alguém que me conhecesse muito e tivesse a paciência de escrever todos os dias (a renovação é praticamente diária). E tudo isso pra que o blog fique desconhecido. Porque não há um único comentário nos posts. Não, não era outra pessoa. A segunda hipótese: era eu mesmo quem escrevia. Poderiam ser posts de quando eu estivesse bêbado, mas eu quase nunca esqueço das coisas que faço quando eu bebo. Então só se eu estivesse num estágio avançado de esquizofrenia. Duas personalidades, duas pessoas. Mesmo assim, o que dizer das situações descritas? Tinha certeza que elas não podiam ter rolado, inclusive porque eu não estive nos locais citados nos posts naquelas datas. Eu teria que ter inventado todas aquelas situações. Não, tenho certeza de que não escrevi nada daquilo. Mas, por outro lado, também tenho certeza de que nenhuma outra pessoa no mundo poderia ter escrito, mesmo por causa do jeito de escrever. Nem adianta procurar, hoje tentei entrar de novo e a página não existe. E no Google, a mesma busca não indica aquele blog.